Estes são alguns dos responsáveis pelo que é escrito na secção “Crónicas e Teorias”.
ZÉ DOS MONTES
Heterónimo de um cafageste qualquer, Zé dos Montes nasceu numa aldeia do interior, sendo desde sempre muito dado às lides do campo, quer na pastorícia, quer na simples observação abrutalhada das lezírias.
Possuidor de um talento inato para a estupidez, Zé emancipou-se aos 3 anos, quando num acto de rebeldia se atirou do berço abaixo. A sua vida nunca mais seria a mesma. Fugiu de casa 11 anos depois, passando a residir no quintal, subsistindo graças à boa vontade do pai, que lhe dava alpista em dias de festa. Com apenas 17 anos concluiu o ensino primário, com uma classificação acima da média (era o mais burro, o mais tolo e o mais desmazelado). Adquire o seu primeiro lego aos 19 anos, o que lhe valeu grandes momentos de paródia e diversão. Mais tarde, decide partir à conquista do mundo e atravessa o longo caminho de 5metros que dividia o quintal da pocilga. Nunca tinha chegado tão longe. A partir desse dia, Zé dos Montes tornou-se num homem vivido e conhecedor. Algum tempo depois já tinha descoberto o caminho de volta para casa, mas nunca chegou a arriscar nesta expedição deveras perigosa. A falta de um bom mapa e de uma bússola deitaram por terra as suas aspirações, pelo que nunca mais conseguiu ter um sono descansado. Actualmente escreve na secção “Crónicas e Teorias” deste blog.
ANTÓNIO VITERBO
Mancebo inteligente e com carácter, António Viterbo nasceu numa vila, cujo nome se perdeu no tempo. Começa por viver com a mãe, mas o facto de esta perder constantemente as novelas da tvi devido à obrigação de ter de cuidar do filho, leva-a a fugir de casa, ficando este ao abrigo e cuidado da sua tia Lucinda. Rapidamente Viterbo começa a crescer, e a desenvolver capacidades nunca antes vistas na família (aprende a dizer o abecedário). Com 12 anos, e após concluir o “estágio” no jardim-escola, António estava preparado para a prova de força! Ingressa no ensino primário, onde se apercebe que o mundo era algo mais complexo que o seu quintal. Faz grandes amizades, que irão perdurar até ao ano seguinte. Uma dessas pessoas que conheceu acabou por ser vital para a sua formação enquanto ser humano…o traficante de rebuçados, berlindes e tazos da escola. Com ele fizeram uma dupla temível, não só dentro da escola, como no seu exterior, em parques infantis, onde demonstravam o seu talento e técnica inovadoras no jogo da macaca. Uns anos mais tarde, e antes de ingressarem no 5ºano, quase se sagraram campeões da rua, nesse aclamado jogo, ainda hoje recordado com mágoa. Viterbo nunca mais seria o mesmo…os seus estudos prolongaram-se apenas até ao 7º ano, tendo desistido para seguir o seu sonho…ingressar nas aulas de ballet. Foi aqui que aprendeu a definir a linha que distingue os meninos dos homens! No ano seguinte, vai tentar uma carreira profissional nas televendas, mas a sorte não lhe sorriu. Cansado de não fazer nada, alistou-se neste blog, onde “de quando em vez” expressa as suas ideias deveras importantes para o progresso da sociedade.
MARCOLINO GOMES
A partir de hoje, data que vai ficar marcada para sempre na história da nossa grande Nação, vou começar a colorir literariamente este blog com a minha sabedoria, tentando educar-vos nos aspectos da palermice social, e “brutidão” humana.
O meu nome é Marcolino gomes, nascido e criado entre as vielas de Alfama, e a pureza do intendente (com uma pequena passagem por Xabregas). Desde petiz fui instruído na arte de bem intrujar, e de nunca conter os gazes. Esta última demorou anos a controlar, o que me causou diversos dissabores, como daquela vez em que libertei uma flatulência no meio de um jantar de família, que embora tenha sido de pantufa, deitou um fedor só comparável ao mau hálito do meu amigo orelhas. Ao longo do meu crescimento, nunca me faltou o apoio do meu pai que dizia com toda a sua cultura e amor: “Comigo estás sempre à vontade, fome e porrada é o prato do dia.” Um verdadeiro senhor sem dúvida…
Enquanto passava a minha juventude entre tabernas mal lavadas, e meretrizes de fraca qualidade, eruditas na arte do “felácio”, tentei sempre enriquecer a minha cultura, principalmente através do meu “GANDA” BENFICA. Muito atento a tudo o que me rodeava, nunca deixei que me fizessem de tolo, e em vez de entrar pelos caminhos tenebrosos da educação portuguesa, decidi entrar por outro caminho muito mais apelativo. O Bagaço. Até hoje ainda não me arrependi, visto que conheci gente de altas castas sociais, como o meu grande amigo Dionísio, pessoa com uma cultura enorme. Graças a elas penso ter uma capacidade extraordinária para avaliar a sociedade actual, bem como para dar mortais à retaguarda.
É esta capacidade que vou tentar demonstrar aqui neste blog…
ETELVINA FERREIRA
Nascida num mês de Inverno numa qualquer viela de Alfama, Etelvina cedo mostrou capacidades fora do normal. Aos 2 anos já conseguia escamar 5 sardinhas, e 4 chernes em 2 minutos. Sempre muito ligada às lides da pesca, Etelvina trabalhou desde nova numa banca junto ao Cais de Sodré com a sua mãe, a vendendo peixe fresco do dia (ou não). Rapariga roliça, desde nova caiu nas atenções dos homens que passavam, mas nenhum deles conseguia olhar para ela mais de 2 segundos. Alguns chegaram mesmo a lançar-se ao Tejo com medo, e muitos deles nunca mais foram vistos. Devido às necessidades da profissão, Etelvina desenvolveu uma voz muito forte, e um dia um desgraçado lembrou-se de lhe dizer que devia ser fadista! Que triste ideia. Alfama nunca mais foi a mesma. Rapidamente as casas de fados ficaram vazias, e Etelvina foi obrigada a desistir do seu sonho. Ainda gravou um single “Maruca bem fresquinha” que atingiu o top nacional…, dos menos ouvidos.
Etelvina ficou tão contente com o seu sucesso, que decidiu dar uma festa onde não faltou peixe e vinho branco.
Depois da sua aventura musical, outro desgraçado de seu nome Inácio, após apanhar uma tamanha cabra numa taberna com o Sr. Marcolino Gomes, lembrou-se de lhe dizer que ela havia de ir para modelo. Outra triste ideia…Etelvina foi-se inscrever numa empresa de modelos…mas um bigode fora do comum, aliado ao facto das suas ancas não caberem na porta da entrada, decidiram que ela havia de ser modelo, sim senhor, mas para usar a nova colecção de chocalhos para o gado. Fez furor, e todos os pastores e criadores de gado das beiras vieram para ver a nova colecção. O Sr.
Marcolino Maciel ainda andou uns tempos interessado nela, mas acabou por perceber que não podia ter uma relação com uma pessoa que tivesse um bigode maior do que o dele.
Depois do novo sucesso, Etelvina decidiu então usar todo o dinheiro para alargar o seu negócio. Hoje tem uma empresa de import/export de bacalhau e marisco, com nome em toda a Europa. Por isso, e por ler a revista caras (de bacalhau) pensa que tem cultura e experiência de vida para opinar sobre assuntos da nossa sociedade. Ninguém acredita muito nisso…mas cá estaremos para ver….